Andei recebendo um desses emails que todo mundo recebe. Uma médica falava sobre um novo medicamento: Homem - clique aqui para ler a bula. Não era o caso de ser um tratamento recomendado a mim, mas o contrário: me senti sendo capturado por biopiratas e levado para um laboratório capitalista selvagem onde eu seria sintetizado, como se fosse possível isolar o princípio ativo de minha beleza.
Não satisfeito, escrevi o soneto abaixo.
(Para quem ainda não conhece o remédio, recomendo a leitura da bula para entender melhor o poema:
Sátira a quem
me imagina em drágeas
me imagina em drágeas
Manuel Estivalet
Ah, bruta flor do querer,Ah, bruta flor, bruta flor,Que nas andanças do amor,Teve alegria e sofrer;
Ah, bruta flor, bruta flor,Ah, bruta flor do querer,Se o que queres é me ter,Sê o que for, sem pudor.
Para o drama sintomático,Onde queres alopático,Sou poucas gotas de um floral.
Ao lamento dos teus cânticos,Onde queres um romântico,Sou poeta, sou fatal.
PS: Uma curiosidade sobre a métrica do poema. Pela regra de unir as vogais na contagem de sílabas, os últimos versos da segunda estrofe podem ser considerados assim:
Se o/ que/ que/res/ é/ me/ ter = 7 sílabasSê o/ que/ for/, sem/ pu/dor = 6 sílabas
A regularidade do poema pede 7 sílabas por verso, tanto que, originalmente, eu havia escrito "Sê o que for, SÊ sem pudor". Mas na leitura oral desse verso original, ele soou como se tivesse 8 sílabas. Então, percebi: o "Sê" é tão forte que não se junta ao artigo "o" para compor uma única sílaba. Desse modo, o que estou propondo é a seguinte contagem para o último verso da segunda estrofe:
Sê/ o/ que/ for/, sem/ pu/dor = 7 sílabas
No entanto, no verso anterior o "Se" inevitavelmente se integra ao artigo para compor uma única sílaba. Acontece que o "Se" não é tão imperativo quanto o "Sê".
1 comentários:
Homem
Cor
Desejo
Flor
na terra
A smente mais rara
Plantou
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