quinta-feira, 1 de abril de 2010

Bruta flor do querer: onde queres paraefeito, sou antídoto

Andei recebendo um desses emails que todo mundo recebe. Uma médica falava sobre um novo medicamento: Homem - clique aqui para ler a bula. Não era o caso de ser um tratamento recomendado a mim, mas o contrário: me senti sendo capturado por biopiratas e levado para um laboratório capitalista selvagem onde eu seria sintetizado, como se fosse possível isolar o princípio ativo de minha beleza.

Não satisfeito, escrevi o soneto abaixo.
(Para quem ainda não conhece o remédio, recomendo a leitura da bula para entender melhor o poema:


Sátira a quem 
me imagina em drágeas
Manuel Estivalet

Ah, bruta flor do querer,
Ah, bruta flor, bruta flor,
Que nas andanças do amor,
Teve alegria e sofrer;

Ah, bruta flor, bruta flor,
Ah, bruta flor do querer,
Se o que queres é me ter,
Sê o que for, sem pudor.

Para o drama sintomático,
Onde queres alopático,
Sou poucas gotas de um floral.

Ao lamento dos teus cânticos,
Onde queres um romântico,
Sou poeta, sou fatal.


PS: Uma curiosidade sobre a métrica do poema. Pela regra de unir as vogais na contagem de sílabas, os últimos versos da segunda estrofe podem ser considerados assim:
Se o/ que/ que/res/ é/ me/ ter = 7 sílabas
Sê o/ que/ for/, sem/ pu/dor = 6 sílabas
A regularidade do poema pede 7 sílabas por verso, tanto que, originalmente, eu havia escrito "Sê o que for, sem pudor". Mas na leitura oral desse verso original, ele soou como se tivesse 8 sílabas. Então, percebi: o "Sê" é tão forte que não se junta ao artigo "o" para compor uma única sílaba. Desse modo, o que estou propondo é a seguinte contagem para o último verso da segunda estrofe:
Sê/ o/ que/ for/, sem/ pu/dor = 7 sílabas
No entanto, no verso anterior o "Se" inevitavelmente se integra ao artigo para compor uma única sílaba. Acontece que o "Se" não é tão imperativo quanto o "Sê".

1 comentários:

Angela Ariadne Hofmann disse...

Homem
Cor
Desejo
Flor
na terra
A smente mais rara
Plantou