Shakespeare in love (EUA-RU, 1998) pode ser encontrado na categoria de comédia romântica. Mas, se me perguntassem do que se trata, eu diria: é um conto de fadas contemporâneo. Tem todos os elementos para tal:
- se passa em um tempo distante ou irreal (poderia começar com "era uma vez..."),
- faz sonhar,
- o bem contra o mal,
- estória com desenvolvimento fácil e leve,
- drama da vida,
- final bem fechado,
- romance,
- magia (recorrente na fala "I don't know, it's a mystery"),
- fundamento numa fantasia de um imaginário contemporâneo
[Casal romântico do Shakespeare in love]
O que eu quis dizer com "fantasia de um imaginário contemporâneo"? Ora, é um ideal que pessoas tem de como acontece a vida no amor, no dinheiro, nas relações de poder, etc. E, é nesse ponto que eu distingo um conto de fadas contemporâneo de um moderno. Para traçar o moderno, eu considero os Irmãos Grimm como modelo. O fundamento deles está num arcabouço mitológico e lendário da época.
Se formos analisar simbolicamente um conto de fadas moderno, vamos encontrar arquétipos míticos (e um tanto místicos) herdados de uma tradição. Por exemplo, a Branca de Neve adormecida no caixão de cristal é a vida que repousa sobre o gelo no inverno, enquanto o príncipe é a chegada da primavera. Algum psicoanalista teimoso poderia falar que tem a ver com a introspecção da alma e tal. Sim, concordo, essa introspecção da alma cai sob o mesmo arquétipo da vida recolhida no inverno.
Já no conto de fadas contemporâneo, se formos levar a uma análise, vê-se uma construção social de ideais das motivações, relações e outras coisas humanas.
(
Será que eu me faço entender? Espero que sim, pois essa postagem vai terminando por aqui.)
Enfim, se por um lado considero os Grimm como modelo do moderno, por outro, considero algumas produções de Hollywood como o modelo do contemporâneo.
No mais, contos de fadas não existem, mas que eles acontecem, acontecem. Sei de uma guria, por exemplo, que assistiu
Shakespeare in love à tarde e, à noite, conheceu um príncipe, mas feito Cinderela, fugiu do baile antes do primeiro beijo. Como isso foi acontecer,
não sei, é um mistério.
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PS: Sei lá o que seria um conto de fadas contemporâneo, tirei esse conceito agora da minha caixola.