quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Poeminho de boa noite à Ariadne

Noite em Lua
Céu de estrelas
Lindos sonhos
Manuel Estivalet

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Shakespeare in Conto de Fadas

Shakespeare in love (EUA-RU, 1998) pode ser encontrado na categoria de comédia romântica. Mas, se me perguntassem do que se trata, eu diria: é um conto de fadas contemporâneo. Tem todos os elementos para tal:
  • se passa em um tempo distante ou irreal (poderia começar com "era uma vez..."),
  • faz sonhar,
  • o bem contra o mal,
  • estória com desenvolvimento fácil e leve,
  • drama da vida,
  • final bem fechado,
  • romance,
  • magia (recorrente na fala "I don't know, it's a mystery"),
  • fundamento numa fantasia de um imaginário contemporâneo

[Casal romântico do Shakespeare in love]

O que eu quis dizer com "fantasia de um imaginário contemporâneo"? Ora, é um ideal que pessoas tem de como acontece a vida no amor, no dinheiro, nas relações de poder, etc. E, é nesse ponto que eu distingo um conto de fadas contemporâneo de um moderno. Para traçar o moderno, eu considero os Irmãos Grimm como modelo. O fundamento deles está num arcabouço mitológico e lendário da época.

Se formos analisar simbolicamente um conto de fadas moderno, vamos encontrar arquétipos míticos (e um tanto místicos) herdados de uma tradição. Por exemplo, a Branca de Neve adormecida no caixão de cristal é a vida que repousa sobre o gelo no inverno, enquanto o príncipe é a chegada da primavera. Algum psicoanalista teimoso poderia falar que tem a ver com a introspecção da alma e tal. Sim, concordo, essa introspecção da alma cai sob o mesmo arquétipo da vida recolhida no inverno.

Já no conto de fadas contemporâneo, se formos levar a uma análise, vê-se uma construção social de ideais das motivações, relações e outras coisas humanas.

(Será que eu me faço entender? Espero que sim, pois essa postagem vai terminando por aqui.)

Enfim, se por um lado considero os Grimm como modelo do moderno, por outro, considero algumas produções de Hollywood como o modelo do contemporâneo.

No mais, contos de fadas não existem, mas que eles acontecem, acontecem. Sei de uma guria, por exemplo, que assistiu Shakespeare in love à tarde e, à noite, conheceu um príncipe, mas feito Cinderela, fugiu do baile antes do primeiro beijo. Como isso foi acontecer, não sei, é um mistério.

***
PS: Sei lá o que seria um conto de fadas contemporâneo, tirei esse conceito agora da minha caixola.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Começar o ano com arte pela beleza

Inaugurei meu circuito de espetáculos do ano na segunda noite da 16ª Mostra de Dança Verão. Foi uma boa oportunidade para ver um panorama geral de Porto Alegre em diversos estilos.

E de tudo o que vi, gostaria de compartilhar algo que me ocorreu durante a apresentação de "We just don't care" (de Marilice Bastos?). As meninas dançavam em movimentos limpos, simplesmente agradáveis de se ver, quando comecei a prestar atenção à letra da música. Então, percebi que a coreografia nada tinha a ver com o sentido da canção e, mais, que os gestos eram pura exibição técnica, sem pretensão de significar alguma coisa. Mesmo assim, continuei a apreciar o espetáculo da mesma maneira. O seu sentido de sua existência era simplesmente ser belo.

Enfim, consolidei minha opinião de que, na vida e na arte, nem tudo precisa fazer um sentido, basta ser belo. Eis um bom princípio para começar o ano. E, se alguém não compreende o que digo, recomendo que vá assistir a um espetáculo de dança sem pretensões. Uma obra sem palavras é um bom meio de desracionalização da apreciação estética.

No mais, gostaria de destacar a coreografia "Três Rios" de Ivan Motta, tão bela que me fez chorar.

Meu outro destaque é para a falha dos organizadores na divulgação e informação: o material disponível na Internet é fraquíssimo, o nome dos dançarinos não foi divulgado e, por eles, quase não há informações sobre os grupos que se apresentaram. Gostaria de pelo menos ter uma foto do que assisti e poder saber mais sobre as peças que me encheram os olhos.

***
Sobre a Mostra de Dança Verão:
http://culturaportoalegre.blogspot.com/2010/01/danca.html

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Versos ao Ano Jovem

Mais um Ano
Manuel Estivalet

Entre fogos e festejos, a quietude
cálida e bela, o silêncio interior.
É verão, e o sol amanhece cada flor...
encantar-se com a vida é uma virtude.

Mesmo Pandora seduzindo ao ataúde,
mesmo a labuta engendrando rancor,
são nada! Nada há a temer ante o tremor
dos desejos quando tremer não mais ilude.

Mais uma ano de batalhas por que mude,
e ouve-se enfim o soar de um novo rumor,
de um sonho, de um gesto, do nascer de um amor.
A esperança... o ano renova-se a miúde.

Ó Jovem, resplandeça! Velho, se despeça.
Pelo tempo ainda sou, respira a promessa.


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No final da cada ciclo, retornamos.
Contemplo 2009 e rememoro o peoma que escrevi no ocaso de 2008.

PS: Essa peça tornou-se a mensagem de fim de ano do Nos Lemos em 2008.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Jardinando



Até o ano 33, estarei vivendo no bosque.